sexta-feira, 31 de maio de 2013

Maria no plano Espiritual



Por Érika Silveira

Há diversas mensagens e descrições sobre as obras de Maria no plano espiritual relatadas em obras psicografadas por Chico Xavier e Yvonne A. Pereira. Existem citações importantes a respeito dos trabalhos sublimes realizados junto aos sofredores e oprimidos nas esferas umbralinas.

O livro Ação e Reação, ditado por André Luiz, mostra o poder da prece à Maria que diz:

“Mãe Santíssima! Anjo Tutelar dos náufragos da Terra, compadece-te de nós e estende-nos tuas mãos doces e puras! ...
Sabemos que o teu coração compassivo é luz para os que tresmalham nas sombras do crime e amor para todos os que mergulham nos abismos do ódio...
Mãe, atende-nos!
Estrela de nossa vida, arranca-nos da escuridão do vale da morte! ...”
.
Mais adiante nas páginas 155-158, André Luiz descreve a sua visita ao santuário Mansão da Esperança, situada em regiões de extrema dor no plano espiritual. O livro Memórias de um Suicida psicografado pela médium Yvonne A. Pereira, pelo espírito de Camilo Cândido Botelho (cognome do suicida e escritor português Camilo Castelo Branco), descreve a tarefa da Legião dos Servos de Maria na ajuda aos suicidas. Vejamos alguns trechos das descrições citadas na obra através de Camilo, espírito em sofrimento na época:

“Imaginais uma assembléia numerosa de criaturas disformes - homens e mulheres- caracterizada pela alucinação de cada uma, correspondente a casos íntimos, trajando, todos, vestes como que empastadas do lodo das sepulturas, com feições alteradas e doloridas estampando os estigmas de sofrimento cruciantes! Imaginai uma localidade, uma povoação envolvida em densos véus de penumbras, gélida e asfixiante, onde se aglomerassem habitantes de além-túmulo abatidos pelo suicídio, ostentando, cada um, o ferrete infame do gênero de morte escolhido no intento de ludibriar a Lei Divina - que lhes concedera a vida corporal terrena como precioso ensejo de progresso, inavaliável instrumento para a remissão de faltas gravosas do pretérito!...

Porém, mesmo em lugar tão terrível, a misericórdia de Deus se manifesta: periodicamente, singular caravana visitava esse antro de sombras. Vinha à procura daqueles dentre nós cujos fluídos vitais arrefecidos pela desintegração completa da matéria, permitissem locomoção para as camadas do invisível intermediário, ou de transição. Supúnhamos tratar-se, a caravana, de um grupo de homens. Mas na realidade eram espíritos que estendiam a fraternidade...

Senhoras faziam parte dessa caravana - Legião dos Servos de Maria.

Entravam aqui e ali, pelo interior das cavernas habitadas, examinando seus ocupantes. Curvavam-se, cheias de piedade, junto das sarjetas, levando aqui e acolá algum desgraçado tombado sob o excesso de sofrimento; retiravam os que apresentassem condições de poderem ser socorridos e colocavam-se em macas conduzidas por varões que se diriam serviçais ou aprendizes”.

O Hospital de Maria de Nazaré

Passaram-se os anos e finalmente Camilo tem condições de ser socorrido e é transferido para o hospital Maria de Nazaré. Vejamos o que ele nos narra: “Depois de algum tempo de marcha, durante o qual tínhamos a impressão de estar vencendo grandes distâncias, vimos que foram descerradas as persianas, facultando-nos possibilidade de distinguir no horizonte ainda afastado, severo conjunto de muralhas fortificadas, enquanto pesada fortaleza se elevava impondo respeitabilidade e temor na solidão de que se cercava...

Edifícios soberbos impunham-se à apreciação, apresentando o formoso estilo português clássico, que tanto nos falava à alma. Indivíduos atarefados, neles entravam e deles saiam em afanosa movimentação, todos uniformizados com longos aventais brancos, ostentando ao peito a cruz azul-celeste ladeada pelas iniciais: L.S.M. Dir-se-iam edifícios, ministérios públicos ou departamentos. Casas residenciais alinhavam-se, graciosas e evocativas na sua estilização nobre e superior, traçando ruas artísticas que se entendiam laqueadas de branco, como que asfaltadas de neve.

À frente de um daqueles edifícios parou o comboio e fomos convidados a descer. Sobre o pórtico definia-se sua finalidade em letras visíveis: Departamento de Vigilância. Tratava-se da sede do Departamento onde seríamos reconhecidos e matriculados pela direção, como internos da Colônia. Daquele momento em diante estaríamos sob a tutela direta de uma das mais importantes agremiações pertencentes à Legião chefiada pelo grande Espírito Maria de Nazaré, ser angélico e sublime que na Terra mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitudes maternais, Aquele que foi o redentor dos homens!...

A um e outro lado destacavam-se outras em que setas indicavam o início de novos trajetos, enquanto novas inscrições satisfaziam a curiosidade ou necessidade do viajante: À direita- Manicômio, À esquerda- Isolamento. Ao contrário das demais dependências hospitalares, como o Isolamento e o Manicômio, o Hospital Maria de Nazaré, ou “Hospital Matriz”, não se rodeava de qualquer barreira. Apenas árvores frondosas, tabuleiros de açucenas e rosas teciam-lhe graciosas muralhas...”.

A Mansão da Esperança

A Legião dos Servos de Maria mantém também no plano espiritual outras instituições, em clima vibratório mais ameno.Uma dessas instituições é a Mansão da Esperança.

Camilo diz,“Não me permitirei à tentativa de descrever o encanto que se irradiava desse bairro onde as cúpulas e torres dos edifícios dir-se-iam filigranas lucidando discretamente, como que orvalhadas, e sobre as quais os raios do Astro Rei, projetados, em conjunto com evaporações de gases sublimados, emprestavam tonalidades de efeitos cuja beleza nada sei a que possa comparar! Emocionados, detivemo-nos diante das escolas que deveríamos cursar. Em tudo, porém, desenhava-se augusta superioridade, desprendendo sugestões grandiosas, inconcebíveis ao homem encarnado.

Aqui e ali, pelos parques que bordavam a cidade, deparávamos turmas de alunos ouvindo seus mestres sob a poesia dulcíssima de arvoredos frondosos, atentos e inebriados como outrora teriam sido, na Terra, os discípulos de Sócrates ou de Platão, sob o farfalhar dos plátanos de Atenas; os iniciados de Pitágoras e os desgraçados da Galiléia e da Judéia, os sofredores de Cafarnaum ou Genesaré, embevecidos ante a intraduzível magia da palavra messiânica!

A hora da Ave-Maria

Na terra quando o sol se põe, muitos elevam suas preces à Mãe de Jesus. No plano espiritual também assim acontece. A suavidade do crepúsculo, as estrelas que principiam a surgir, a natureza que silencia, tudo convida ao recolhimento.

Acreditamos que isso que acontece na terra é reflexo de uma atitude muito maior e mais profunda que ocorre no Mundo dos Espíritos...”


Trecho da matéria “A Vida de Maria” publicada na Revista Cristã de Espiritismo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ave Maria



Ave-Maria, cheia de graça!

O Senhor é convosco

Bendita sois vós entre as mulheres

E Bendito é o Fruto do vosso ventre, Jesus

Santa Maria, Mãe de Jesus*,

Rogai por nós os pecadores

Agora e na hora de nossa morte.

Amém!


(*) No catolicismo a frase é dita como “Santa Maria, Mãe de Deus”.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Primeiros Tempos . Drama do Calvário e Mudanças para Éfeso


O Espírito de Humberto de Campos narra, num de seus livros, a importante visita que Isabel e seu filho João Batista fizeram ao lar de Jesus, em Nazaré, propiciando oportuno encontro entre as duas crianças que revolucionariam o Mundo.

O diálogo entre as duas primas é muito significativo, revelando-se perfeitamente preparadas para a sublime tarefa, como veremos neste pequeno trecho:

“- o que me espanta – dizia Isabel com caricioso sorriso – é o temperamento de João , dado às mais fundas meditações, apesar da sua pouca idade.

(..) – Essas crianças, a meu ver – respondeu-lhe Maria, intensificando o brilho suave de seus olhos – trazem para a humanidade a luz divina de um caminho novo. Meu filho também é assim, envolvendo-me o coração numa atmosfera de incessantes cuidados. Por vezes, vou encontrá-Lo a sós, junto das águas, e, de outras , em conversação profundas com os viajantes que demandam a Samaria ou as aldeias mais distantes , nas adjacências do lago. Quase sempre, supreendo-lhe a palavra caridosa que dirige às lavadeiras, aos transeuntes , aos mendigos sofredores. Fala de sua comunhão com Deus com uma eloquência que nunca encontrei nas observações dos nossos doutores...”
Nesse mesmo livro, Humberto de Campos dedica o derradeiro capítulo a Maria, descrevendo a suas impressões intimas diante do filho crucificado …a sua curta estadia em Batanéa…a mudança, com João Evangelista, para Éfeso, onde “estabeleceriam um pouso e refúgio aos desamparados, ensinariam as verdades do Evangelho a todos os espíritos de boa vontade e, como mãe e filho, iniciaria uma nova era de amor, na comunidade universal”

De fato, “a casa de João, ao cabo de algumas semanas, se transformou num ponto de assembleias adoráveis (…) Maria externava as suas lembranças. Falava dele com maternal enternecimento, enquanto o apóstolo comentava as verdades evangélicas, apreciando os ensinos recebidos. E não foi só. Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados acorriam ao sítio singelo e generoso(….) Sua choupana era, então, conhecida pelo nome de Casa da Santíssima (..) Eram velhos trôpelos e desenganados do mundo, que lhe vinham ouvir as palavras confortadoras e afetuosas, enfermos que invocavam a sua proteção, mães infortunadas que pediam a benção de seu carinho.

Outros Trabalhos no mais Além

Em belíssima e comovente poesia, intitulada “Retrato de Mãe”, Maria Dolores descreve a assistência maternal e efetiva prestada pelo Espírito de Maria a Judas, que se encontrava em região umbralina, cego e solitário, muito tempo depois da crucificação do Mestre.

No final do dialogo com o discípulo suicida, em grande sofrimento, preso a terrível remorso, a benfeitora convence-o argumentando com profundo amor:

“Amo-te, filho meu, amo-te e quero Ver-te, de novo, a vida Maravilhosamente revestida
De paz e luz, de fé e elevação...
Virás comigo à Terra,
Perderás, pouco a pouco, o ânimo violento,
Terás o coração
Nas águas de bendito esquecimento
Numa nova existência de esperança ,
Levar-te-ei comigo
A remansoso abrigo,
Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!...

E Judas, neste instante,
Como quem olvidasse a própria dor gigante
Ou como quem se desagarra
De pesadelo atroz,
Perguntou: – quem sois vós
Que me falais assim, sabendo-me traidor?
Sois divina mulher, irradiando amor
ou anjo celestial de quem pressinto a luz?!…
No entanto, ela a fitá-lo, frente a frente,

Respondeu simplesmente:

- Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus”

No livro mediúnico Memórias de um Suicida inteiramo-nos da notável e completa assistência aos suicidas em profundo sofrimento no Além, pela Legião dos Servos de Maria, “chefiada pelo grande Espírito Maria de Nazaré, ser angélico e sublime que na Terra mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitudes maternais Aquele que foi o redentor dos homens!”


Fonte: Anuário Espírita 1986 - Instituto de Difusão Espírita - IDE

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Imagem e Mensagem: Maria de Nazareth – Padre Zezinho

No “Imagem e Mensagem” desse mês mais uma homenagem a Maria de Nazareth com a música do Padre Zezinho, conhecida por estar presente nos cânticos cristãos das celebrações da igreja católica, tornando-se um verdadeiro hino de louvor à Mãe Santíssima.


domingo, 26 de maio de 2013

Rainha do Céu




Excelsa e sereníssima Senhora,
Que sois toda Bondade e Complacência,
Que espalhais os eflúvios da Clemência
Em caminhos liriais feitos de aurora!...

Amparai o que anseia, luta e chora,
No labirinto amargo da existência.
Sede a nossa divina providência
E a nossa proteção de cada hora.

Oh! Anjo Tutelar da Humanidade.
Que espargis alegria e claridade
Sobre o mundo de trevas e gemidos;

Vosso amor, que enche os céus ilimitados,
É a luz dos tristes e dos desterrados,
Esperança dos pobres desvalidos!...


Antero de Quental

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

sábado, 25 de maio de 2013

Maria: Mãe de Toda Humanidade


Uma passagem do Evangelho que nos traz significativos pontos para reflexão é a da crucificação de Jesus, mais especificamente segundo a narrativa de João que cita a presença da Mãe do Messias no evento que marcou os momentos finais Dele na carne.

Segundo o redator do quarto Evangelho:

Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!” E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa.1

Já de início vemos na narrativa algo que serve para nós do sexo masculino nos envergonharmos diante da situação. Jesus teve mais próximo de si doze discípulos homens. Se descontarmos Judas Iscariotes que se afastou do grupo no final para entregar a Jesus, ainda restaram onze. E de todos estes seus amigos apenas João esteve presente no momento de sua crucificação. Ao contrário, muitas mulheres, também suas seguidoras, se fizeram presente no instante final, prestando solidariedade e sofrendo junto.

Depreendemos daí, e notamos isto no dia a dia, mesmo hoje, que a mulher é muito mais corajosa que o homem. Há exceções, todavia, no geral, elas enfrentam certos momentos de tensão com maior superioridade espiritual do que nós.

Cremos, sem querer fechar a questão sobre o assunto, e principalmente aqui no caso da crucificação, que o que deu coragem a estas fieis seguidoras de Jesus foi o sentimento de amor que já possuíam como virtude conquistada, sentimento este que na maioria das vezes têm elas mais do que nós do sexo masculino.

Segundo a observação de alguns estudiosos da área da psicologia, o oposto de amor não é ódio, e sim medo, pois o temor é paralisante, estático, enquanto amor é movimento, dinamismo. O medo não deixa o amor se expressar e o amor dissolve o medo.

Não temos dúvida de que foi o sentimento nobre que já possuíam que deu coragem àquelas mulheres; os homens, mais afeitos ao raciocínio, pensaram mais no perigo que corriam e afastaram-se.

Temos aprendido a ver que entre os doze da intimidade de Jesus, João, o filho de Zebedeu, era o que tinha mais destacado o sentimento de amor. Não é outro o motivo de ser ele conhecido como o discípulo amado. Neste caso não havia nenhum privilégio, apenas cumprimento da Lei, a cada um segundo as suas obras, aquele que mais ama é mais amado.

Assim, foi também o sentimento de amor mais desenvolvido que deu coragem a este discípulo e que o fez estar com as mulheres nos momentos finais do Mestre entre nós fisicamente.

O mais significativo, entretanto, nesta passagem, é o ensinamento transmitido por Jesus ao dizer a sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” e depois a João: “Eis a tua mãe!”

Mulher; o uso desta forma de tratar é comum na narrativa de João2 e sugere que Jesus nos fala de algo que vai além da piedade filial; o que ele ensina é a adoção de um amor capaz de fortalecer os laços da família universal, não deve haver mais uma distinção que leve em conta os familiares de sangue, mas uma união de todos os filhos de Deus.

Maria surge então como uma “nova” Eva. Esta é segundo os textos do Antigo Testamento a mãe de todos os viventes3, Maria seria a Mãe de toda a humanidade convertida a Cristo.

Do mesmo modo que Paulo refere-se a Cristo como o segundo Adão, ou o último Adão4, Maria seria a segunda Eva. Se a primeira induziu a humanidade à queda por meio da influência negativa da Serpente, a segunda nos leva à redenção atendendo um convite também mediúnico, o que o anjo fez para que acolhesse Jesus como filho.

No primeiro caso temos uma mediunidade desequilibrada, no segundo santificada pela fidelidade a Deus; no primeiro a indução à desobediência, no segundo a submissão a um programa do Alto.

Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!5

Maria seria, assim, uma Eva sublimada.

Há outro texto no Gênesis que faz uma relação entre Eva e Maria que nos ajudará a desenvolver nosso raciocínio. Trata-se do momento em que Deus, na linguagem simbólica da literatura hebraica, adverte a Serpente:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.6

Algumas traduções falam “entre a tua semente [da Serpente] e a sua semente” [da mulher], entretanto o termo hebraico usado para semente é masculino. Como semente neste caso tem o significado de descendência, em português pode-se usar a forma masculina seu descendente.

A Serpente é símbolo do mal, as religiões viram-na como o “Diabo”, o Maligno. A descendência da Serpente é assim toda sorte de erros cometidos pelo homem, fruto da transgressão inicial induzida por ela mesma, a Serpente.

Através desta transgressão foi rompida a Aliança do homem com seu Criador. Numa abordagem que não vamos aprofundar aqui por não ser o objetivo principal deste estudo, a Serpente representa os Espíritos desencarnados ainda arraigados no mal e que procuram distanciar o homem do Bem. Ela age por influência espiritual. No plano físico quem primeiro captou sua influência negativa foi Eva induzindo Adão à queda.

Quem restabelecerá o elo de ligação do homem com Deus, que trará a ele a redenção é Jesus, o descendente de Maria.

Assim, vemos Maria como o resgate de Eva, se através desta veio a queda, Maria nos proporciona através de sua maternidade a oportunidade da salvação.

Neste sentido é que fazendo uma relação com o texto de Paulo aos coríntios, onde ele propõe Jesus como o segundo Adão, propusemos Maria como a “segunda” Eva.



1 João, 19: 25 a 27
2 Cf. João, 2: 4
3 Gênesis, 3: 20
4 1 Coríntios, 15: 45 a 47
5 Lucas, 1: 38
6 Gênesis, 3: 15


Claudio Fajardo de Castro

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Extra: Cultura de Paz - Política

Novo partido tem lançamento nacional em Fortaleza: É o PAZ - Ativistas da Paz pela Vida





O Ceará, Terra da Luz, onde nasceram Dragão do Mar, Bezerra de Menezes e Dom Hélder Câmara, foi o estado escolhido para a fundação do Paz – Ativistas da Paz pela Vida. O primeiro passo para a criação do mais novo partido político brasileiro reuniu articuladores e convidados de nove estados (Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná) e mais o Distrito Federal, na manhã de sábado (4), no Colégio Darwin, em Fortaleza. Seus idealizadores ressaltam que ele nasce como um "movimento de despertamento de consciências para a força da paz", entendendo a formação de um partido como um meio e nunca um fim.

No encontro em que foi assinada a ata de fundação do PAZ, foi escolhido para ocupar o cargo de presidente provisório do novo partido o engenheiro Luiz Bassuma, histórico defensor da vida e da cultura da paz no cenário político nacional. Ex-deputado federal pelo PT da Bahia, Bassuma foi punido por seu antigo partido ao expressar sua posição em defesa da vida desde a concepção. Após a saída do PT, foi do Partido Verde e disputou, em 2010, o Governo do Estado da Bahia, ficando em quarto lugar.

Para tocar as fases de estruturação e oficialização do PAZ, também foram eleitos para a diretoria provisória: Robson Silva de Sousa, do Rio de Janeiro, para o cargo de Secretário Geral, e Juarecê Lordelo, da Bahia, como Tesoureiro. No encontro, foram apresentados ao público o Manifesto do PAZ e textos provisórios do Estatuto e do Programa do partido.

Ao apresentar o novo partido, Bassuma enfatizou que o conceito de paz “envolve coragem e verdade” e não passividade. Um vídeo sobre pacifistas como Gandhi, Martin Luther King, Dom Hélder Câmara, Nelson Mandela e Einstein inspirou os presentes. Bassuma lembrou que as ideias desses personagens históricos, bem como as de Jesus Cristo, foram consideradas utópicas. Mas a atuação de cada um deles para melhorar o mundo em que vivemos foi contagiando um e outro e mudanças e quebras de paradigmas se concretizaram. “Somos aprendizes de pacificadores”, disse. Num mundo em crise de valores, ele acentuou que o novo partido nascerá tendo como base três pilares: a Paz Social, a Paz Ambiental e a Paz Interior.

Valores Éticos

Como está detalhado no Manifesto do PAZ, Bassuma destacou que a “a paz social fala de educação pela Paz, fala de saúde preventiva e integral numa visão holística, de políticas públicas preventivas para a segurança humana, como o desarmamento”. Sobre a Paz Ambiental, referiu-se ao desenvolvimento sustentável e a uma nova economia que não é baseada só no PIB. “O PAZ defende o FIB”, disse Bassuma, sobre o conceito de Felicidade Interna Bruta.

Para quem ainda não sabe, o FIB é um conceito que surgiu no Butão, país, asiático, e ganhou atenção da ONU e de economistas renomados, como o Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia (2001). A partir daí, diversos países do mundo, incluindo o Brasil, passaram a desenvolver estudos sobre FIB, cuja proposta central é avaliar o progresso de uma nação levando em consideração não só aspectos econômicos, como o padrão de vida, mas outras oito dimensões como vitalidade comunitária, bem-estar psicológico, gestão do tempo, saúde, educação, cultura e boa governança, respeito ao meio ambiente. “A ONU já aprovou e até no Fórum Econômico Mundial em Davos já foi gente falar sobre FIB”, lembrou Bassuma.

Sobre a Paz Interior, o Manifesto do novo partido declara não falar de religião e sim de “religiosidade que remete a uma espiritualidade que está além dos templos e das tradições. Fala de valores morais, da ética, da verdade, do respeito às diferenças, buscando transcender racionalmente os limites acanhados do materialismo. Serão bem-vindas pessoas de todas as tradições, assim como os agnósticos; que não professam religião nenhuma”.

Programa provisório

O Programa provisório do PAZ reúne os seguintes pontos: Paz no mundo a partir do indivíduo; Cultura de Paz e Não Violência; Defesa da vida desde a concepção; Educação pela paz; Saúde Integral; Uma nova Economia; Uma nova organização mundial; Preservação do planeta; Água como fonte de vida; Energia limpa, segura e sustentável; Direitos Humanos e Sociais; Segurança Humana; Desarmamento; Ressocialização de presídios; Enfrentamento às drogas lícitas e ilícitas; Produto e consumo ecologicamente corretos; Enfrentamento à corrupção e à lavagem de dinheiro; Desburocratização; Meritocracia; Voto Facultativo; Fim do voto secreto e do voto destituinte; Eleição para o Judiciário.

Próximos passos

O Estatuto e programa propostos pelos articuladores para o novo partido, assim como a ata de sua fundação, serão registrados em Cartório do Registro Civil em Brasília esta semana. Depois disso, começa uma fase desafiante: a busca por 500 mil assinaturas de eleitores de pelo menos nove estados do País para que o partido possa obter o registro definitivo junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Até um ano após o OK do TSE, o PAZ deverá realizar o seu Primeiro Congresso Nacional, quando o Estatuto e Programa serão amplamente discutidos e aprovados. Para, então, estar apto a disputar uma eleição. Bassuma diz que, como partido político, o PAZ vai concorrer a uma eleição, mas quando isso vai acontecer não é o relevante agora.

Como está no programa do partido: “Sua missão não se resume apenas em se constituir numa alternativa política limpa. É antes de tudo um Movimento de Iluminação de Consciências. Suas expectativas não deverão se limitar a vencer eleições e realizar bons governos. Elas ultrapassam esses limites necessários, mas insuficientes para se fixarem no processo, na caminhada, na travessia rumo a um estágio mais evoluído dessa nossa civilização”.


Saiba mais no site www.ativistasdapaz.org


Fonte: Agência da Boa Notícia, 08/05/2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prece em Canção: Nossa Senhora – Roberto Carlos

Esse foi o vídeo de lançamento de uma das mais belas orações em canção à Maria, “Nossa Senhora”, composta e interpretada por Roberto Carlos.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Bendita entre as Mulheres


Maria contou a Lucas o encontro vibrante que teve com Isabel nas regiões montanhosas da Judéia. Disse que fez uma longa caminhada numa região inóspita e desnivelada. Seu corpo estava fatigado, sua mente, estressada.

Entretanto, algo a reanimou. Logo que Isabel a viu, disse a célebre frase de saudação "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre".

Isabel era bem mais velha, mas reconheceu a grandeza da jovem Maria. Exaltou o menino que estava se formando em seu útero, como um fruto excelente que alimentaria uma humanidade faminta de sabedoria.

Ao ouvir as palavras de Isabel, Maria suspirou e recobrou as forças. Num momento de rara luz, abriu-se imediatamente à sua inteligência e proferiu um belíssimo poema. Um poema que fluiu espontaneamente do tecido mais íntimo da sua psique.

Tal poema ficou conhecido na História como Magnificat por causa da primeira palavra de tradução latina de exaltação ao Autor da existência.

Devemos estar cônscios de que o Magnificat de Maria não foi uma produção sobre-humana, miraculosa, mas uma construção que procedia do seu intelecto. Alguém que ama economia não tarda muito a discorrer sobre investimentos. Quem ama as artes, basta uma oportunidade para falar de escultura, teatro, cinema. Maria discorreu sobre o que lhe era próprio - aquilo que respirava e vivia diariamente. É lascinante analisar seu poema sob o olhar da psicologia e da filosofia. Há beleza em suas ideias. Elas revelam muito mais do que informações desconectadas. Revelam informações que foram transformadas em conhecimento, e conhecimento em sabedoria.

Maria ainda era uma adolescente. Faltava-lhe experiência de vida, mas seu poema revela o caminho pelo qual estava construindo a sua história e atuaria como a mais excelente educadora.

O Magnificat discute pelo menos quatro grandes temas: a) o relacionamento estreito de Maria com Deus; b) uma síntese do Antigo Testamento com mais de quinze citações; c) sua visão crítica sobre as relações sociais; d) seu entendimento sobre os fenómenos psíquicos.

A inteligência de Maria era incomum. Como pesquisador da inteligência, concluí que o Magnificat revela muito mais que uma jovem dócil e serena, revela uma genialidade.

Ninguém conseguiria produzir um poema de uma complexidade intelectual e existencial tão grande como o Magnificat e, ainda mais, de improviso e fatigada, se não fosse sobredotada. Esta frase pode surpreender o mundo religioso: Maria tinha intelecto de um gênio.

O MAGNIFICAT


Há várias traduções do Magnificat escrito no Evangelho de Lucas. Nas traduções que conheço, embora haja variações textuais, elas não divergem no pensamento central. A seguir citarei o Magnificat, como uma composição de algumas traduções.

A minha alma engrandece ao Senhor
E o meu espírito exulta em Deus, meu salvador
Porque Ele pôs os olhos sobre sua humilde serva.
Sim, doravante todas as gerações me considerarão bem-aventurada
Porque o Todo-Poderoso me fez grandes coisas: santo é Seu Nome.
A Sua bondade se estende de geração em geração sobre os que O temem.
Ele interveio com toda a força do seu braço;
Dispersou os homens de pensamentos orgulhosos;
Precipitou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes;
Cobriu os famintos de bens e despediu os ricos de mãos vazias.
Veio em socorro de Israel, seu servo lembrando de sua bondade,
Como dissera a nossos pais, em favor de Abraão e sua descendência,
para sempre.


O MAGNIFICAT REVELA A GENIALIDADE DA JOVEM MARIA

Maria cresceu numa nação em conflito, onde a miséria fazia parte do traçado existencial das pessoas. Sem espoliar as nações dominadas, a máquina de Roma não sobreviveria. Do pouco que se colhia nos campos de Israel, Roma tinha seu quinhão. Mendigos se espalhavam pela Judéia e pela Galiléia. Para controlar as revoltas, a força do império era onipresente. Todo motim era sufocado com prisões e mortes.

Havia escassez de tranquilidade para estimular os jovens a desenvolver a solidariedade, o altruísmo, a generosidade. Onde a competição social é acirrada, poucos se animam a desenvolver a sabedoria para nutrir a inteligência. Nos tempos atuais não tem sido diferente.

Não exija que as pessoas que lutam arduamente para ter um lugar ao sol nas sociedades competitivas tenham ardente disposição para repousar à sombra da sabedoria. Toda vez que a vida está em risco, sobreviver sobrepuja a sede de saber.

Era de esperar que muitos jovens judeus da época de Maria não tivessem ânimo para se dedicar aos grandes ideais. Sobravam individualismo e ansiedade pela sobrevivência e faltavam idealismo e sonho de inclusão social. Mas Deus encontrou uma jovem com uma consciência social, intelectualidade e espiritualidade notáveis.

Como analisaremos ao longo do texto, em seu poema Maria exaltou os valores psíquicos e a justiça social. Reconheceu as limitações da existência, inclusive da sua. Criticou a necessidade neurótica de estar sempre com a razão, que bloqueia a mente humana, e a necessidade neurótica de poder, que corrói a sociedade.

Texto extraído do livro “Maria, a maior Educadora que já existiu”, de Augusto Cury.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Poder do Pensamento


Para os Espíritos o Pensamento é Tudo




“Os Espíritos não têm necessidades de vestir os seus pensamentos com palavras. Os seres encarnados pelo contrário, só podem comunicar-se pelo pensamento traduzido em palavras. Contudo, o ser encarnado põe o seu corpo, como instrumento de comunicação por palavras, à disposição, o que um Espírito errante não tem condição de fazê-lo. Assim, podemos perceber a importância do papel dos médiuns nas comunicações espíritas.”

Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço, porém, rápido como o pensamento. Quando o pensamento está em algum lugar, a alma está também, uma vez que é a alma que pensa. O pensamento é um atributo da alma. Para os Espíritos o pensamento é tudo. (1)

Os Espíritos agindo sobre os fluidos espirituais, não os manipulam como os homens manipulam os gases, mas com a ajuda do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem a esses fluidos tal ou tal direção; aglomeram-nos, combinam-nos ou os dispersam. É com esses fluidos que eles formam a grande oficina ou o laboratório da vida espiritual. (2)

A linguagem dos Espíritos é o verdadeiro critério pelo qual podemos julgá-los, pois, sendo a linguagem a expressão do pensamento, eles tem sempre um reflexo das qualidades boas ou más que possuem em sua capacidade evolutiva, sendo assim, o primeiro sentimento que os evocadores e os médiuns devem ter em relação a eles é o da prudência (3), pois os Espíritos, não sendo outros senão as almas dos homens, não possuem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência. O saber dos Espíritos esta limitado ao grau de seu adiantamento, e a suas opiniões tem unicamente o valor de uma opinião pessoal. Essa verdade, reconhecida preservará os evocadores e os médiuns da grande dificuldades de crerem em suas infalibilidades. Inclusive, é útil e sensato não formular teorias prematuras sobre o dizer de um só ou de alguns Espíritos. (4)

Salvo algumas poucas exceções, o médium transmite o pensamento dos Espíritos pelos meios mecânicos de que dispõe, e a expressão desse pensamento pode e deve, o mais frequentemente, ressentir-se da imperfeição desses meios.

Qualquer que seja a natureza dos médiuns escreventes, mecânicos, semi-mecânicos ou simplesmente intuitivos, os processos de comunicação dos Espíritos não variam na essência. As comunicações com os Espíritos encarnados, diretamente, ou com os Espíritos propriamente ditos, se realizam unicamente pela irradiação do pensamento. Os pensamentos não necessitam das vestes da palavra para que os Espíritos os compreendam. Todos os Espíritos percebem o pensamento transmitido, pelo simples fato de ele ter sido dirigido a alguém, um grupo, ou de uma maneira geral e cada um o entenderá na razão do grau de suas faculdades intelectuais. Quer dizer que determinado pensamento pode ser compreendido por estes e aqueles, segundo o respectivo adiantamento, enquanto para outros o mesmo pensamento, não despertará nenhuma lembrança nenhum conhecimento no fundo do seu coração ou do seu cérebro não será perceptível. No caso de ser um Espírito encarnado que serve de médium, este processo é o método mais apropriado para transmitir o pensamento de um Espírito para outros encarnados, mesmo que o médium não o compreenda.

Se um Espírito tiver a necessidade de usar de um médium para comunicar o seu pensamento por palavras, ele irá usar um ser terreno (espirito encarnado), porque este pode ceder o seu corpo como um instrumento, colocando-se a sua disposição, o que um Espírito errante não tem condição de fazê-lo. Eis aqui um ponto importante do papel dos médiuns nas comunicações espíritas.

Assim, quando os Espíritos superiores encontram num médium o cérebro cheio de conhecimentos adquiridos na sua vida atual, e o seu Espírito rico de conhecimentos anteriores, latentes, próprios a facilitar as comunicações, eles preferem servir-se dele, porque então o fenômeno da comunicação será muito mais fácil do que através de um médium da inteligência limitada, e cujos conhecimentos anteriores fossem insuficientes.

Para compreender melhor tentaremos usar algumas explicações que nos parecem ser mais claras e precisas.

Com um médium cuja inteligência atual ou anterior esteja desenvolvida, o pensamento do Espírito se comunica instantaneamente, de Espírito a Espírito, graças a uma faculdade peculiar à essência mesma do Espírito. Nesse caso o Espírito encontra no cérebro do médium os elementos apropriados à roupagem de palavras correspondentes a esse pensamento, quer o médium seja intuitivo, semi-mecãnico ou mecânico. É por isso que apesar de diversos Espíritos se comunicarem através do médium, os ditados por eles recebidos trazem sempre o cunho pessoal do médium, quanto à forma e ao estilo. Porque embora o pensamento não seja absolutamente dele, o assunto não se enquadre em suas preocupações habituais, se bem o que os Espíritos desejam dizer não provenha do médium, ele não deixa de exercer sua influência na forma, dando-lhe as qualidades e propriedades características da sua individualidade. É precisamente como quando olhamos diversos lugares através de binóculos coloridos, de lentes brancas, verdes ou azuis, e embora os lugares e objetos vistos pertençam ao mesmo trecho, mas tenham aspectos inteiramente diferentes, aparecem sempre com a coloração dada pelas lentes.

Melhor ainda: comparemos os médiuns a esses botijões de vidros com líquidos coloridos e transparentes que se veem nos laboratórios farmacêuticos. Pois bem, os Espíritos são como focos luminosos voltados para certos trechos de paisagens morais, filosóficas, psicológicas, iluminando-os através de médiuns azuis, verdes ou vermelhos, de maneira que os nossos raios luminosos tomam essas colorações, se bem o que os Espíritos desejam dizer não provenha dele, ou seja, obrigados a atravessar vidros mais ou menos bem lapidados, mais ou menos transparentes, o que vale dizer médiuns mais ou menos apropriados, esses raios só atingem os objetos que os Espíritos desejam iluminar tomando a coloração ou a forma própria e particular desses médiuns.

Para terminar oferecemos mais uma comparação: os Espíritos são como os compositores de música que tendo composto ou querendo improvisar uma ária só dispõem de um destes instrumentos; um piano, um violino, uma flauta, um fagote ou um apito comum. Não há dúvida que com o piano, com a flauta ou com o violino eles executarão a ária de maneira satisfatória. Embora os sons do piano, do fagote ou da flauta sejam essencialmente diferentes entre si, a composição do Espírito será sempre a mesma nas diversas variações de sons. Mas se ele dispõe apenas de um apito comum, ou mesmo de um sifão de esguicho, ei-lo em dificuldade.

Quando os Espíritos são obrigados a servir-se de médiuns pouco adiantados o trabalho deles se torna mais demorado e penoso, pois eles tem de recorrer a formas imperfeitas de expressão, o que é para eles um embaraço. São então forçados a decompor os pensamentos e ditar palavra por palavra, letra por letra, o que é fatigante e aborrecido, constituindo verdadeiro entrave à presteza e ao bom desenvolvimento das manifestações espíritas.

É por isso que eles se sentem felizes quando encontram médiuns bem apropriados, suficientemente aparelhados, munidos de elementos mentais que podem ser prontamente utilizados, bons instrumentos, numa palavra, porque então o perispírito dos Espíritos, agindo sobre o perispírito daquele que mediunizam, só tem de lhe impulsionar a mão que serve de porta caneta ou porta lápis. Com os médiuns mal aparelhados eles, para se comunicarem são obrigados a realizar um trabalho por meio de pancadas, ou seja, indicando letra por letra, palavra por palavra, para formar as frases que traduzem o pensamento a ser transmitido. Essa a razão dos Espíritos preferirem as classes esclarecidas e instruídas, para a divulgação do Espiritismo e o desenvolvimento da mediunidade escrevente, embora seja nessas classes que se encontram os indivíduos mais incrédulos, mais rebeldes e mais destituídos de moralidade. E é também por isso que, se deixam aos Espíritos brincalhões e pouco adiantados a transmissão das comunicações tangíveis por meios de pancadas e os fenômenos de transporte, é porque os homens são pouco sérios preferindo os fenômenos que lhes tocam os olhos e os ouvidos aos de natureza puramente espiritual, puramente psicológica.

Quando os Espíritos desejam ditar mensagens espontâneas agem sobre o cérebro, nos arquivos do médium, e juntam o material deles com os elementos que o médium fornece. E tudo isso sem que ele o perceba.

Mas quando o próprio médium quer interrogar os Espíritos, melhor será que antes reflita seriamente a fim de fazer as perguntas de maneira metódica, facilitando assim o trabalho deles para responder. Porque o cérebro do médium, como acontece frequentemente, pode estar numa desordem dificílima de organizar, sendo para os Espíritos muito mais difícil trabalhar com o labirinto do pensamento do médium.

Quando as perguntas devem ser feitas por terceiro, é bom e conveniente que sejam antes comunicadas ao médium para que ele se identifique com o Espírito do interrogante, impregnando-se, por assim dizer, das suas intenções. Porque então os Espíritos terão muito mais facilidades para responder, graças à afinidade existente entre o perispírito do Espírito e o do médium que servirá de intérprete.

Certamente, os Espíritos podem tratar de Matemáticas através de um médium que as desconheça por completo, mas quase sempre o Espírito do médium possui esse conhecimento em estado latente. Isso quer dizer que se trata de um conhecimento pessoal do ser fluídico e não do ser encarnado, porque o seu corpo atual é um instrumento inadequado ou rebelde a essa forma de conhecimento. O mesmo se dá com a Astronomia, a Poesia, a Medicina e as línguas diversas, e ainda com todos os demais conhecimentos peculiares à espécie humana. Por fim, os Espíritos, tem ainda o meio dificultoso de elaboração, aplicado aos médiuns completamente estranhos ao assunto tratado, que é o de reunião das letras e das palavras como se faz em tipografia.

Finalizando, os Espíritos não têm necessidades de vestir os seus pensamentos com palavras. Eles o percebem e os transmitem naturalmente entre si. Os seres encarnados pelo contrário, só podem comunicar-se pelo pensamento traduzido em palavras. Enquanto a letra, a palavra, o substantivo, o verbo, a frase, enfim, são necessários para percepção dos seres encarnados, mesmo mental, nenhuma forma visível ou tangível é necessária para os Espíritos.

Esta análise do papel dos médiuns e dos processos, pelos quais se comunicam é tão clara quanto lógica. Dela decorre o princípio de que o Espírito não se serve das ideias do médium, mas dos materiais necessários para exprimir os seus próprios pensamentos, existentes no cérebro do médium, e de que, quanto mais rico for cérebro do médium, mais fácil se torna a comunicação.

Os que exigem esses fenômenos para se convencerem, devem antes tratar de estudar a teoria, só assim, poderão saber em que condições especiais eles se produzem.


NOTAS

(1) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Escala Espírita, itens 89, 89a e 100.

(2) Ver Allan Kardec, Revista Espírita junho 1868, Fotografia do Pensamento.

(3) Ver Allan Kardec, Revista Espírita, setembro 1859, Procedimentos para Afastar os Maus Espíritos.

(4) Ver Allan Kardec, Obras Póstumas, 2ª. Parte, Minha primeira iniciação no Espiritismo.

Fonte: A Era do Espírito

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Súplica à Mãe Santíssima



Vinde a nós, Mãe Santíssima,
Consolarmo-nos em nossos prantos,
De aflições e desencantos,
Alivia-nos de nossos erros.

Ergue-nos a sua taça de doçura
Sobre as nossas amarguras,
Trazei-nos a Paz de Jesus,
o seu Filho amado.

Banha-nos da tua luz, as nossas almas,
Curando-nos das nossas chagas;
Sedes pórtico de abrigo e alento
desses vossos filhos,
que palmilham essa longa estrada.

Cobre-nos, Senhora Imaculada,
Com seu manto engastado de estrelas e
ampara-nos do frio das iniquidades;
Vem livrar-nos do cativeiro de nossas paixões,
Despertai em nossos corações
A nobreza do amor e da caridade.

Velai por nós, Mãe de todos os anjos,
 A tua compaixão nos renova,
Abençoando-nos, hoje, agora e sempre,
Lenindo as dores das nossas provas.


Glauco

Mensagem recebida por Carlos Pereira, em 19/05/2013.

domingo, 19 de maio de 2013

O Saber de Maria


Maria era Culta ou Iletrada?



Esta é outra questão que não é fácil ser respondida.

Nos dias de hoje dizemos que uma pessoa é culta se ela tem o hábito de ler e estudar, se tem muita informação intelectual. Entretanto, no que diz respeito ao primeiro século de nossa era o julgamento não pode ser feito desta forma.

Neste século, o marcado pela vida física de Jesus, grande era o percentual de analfabetismo. Quase não haviam livros para serem lidos, e era caríssima a produção de um desta forma, não era qualquer pessoa que tinha acesso a livros, sendo assim, poucos sabiam ler, e muito menos ainda os que tinham o hábito de estudar como fazemos hoje. Porém, não podemos dizer por isso que eram mal informados os habitantes da Palestina daquela época. O processo de aprendizado era diferente, o que tínhamos era uma cultura oral; as cartas de Paulo eram lidas na comunidade cristã através de uma leitura coletiva, muitos apenas ouviam o que este valoroso apóstolo escreveu.

Tal hábito fazia com que a memória destes que se dedicavam ao estudo das escrituras fosse de grande capacidade, pois era preciso saber os textos de cor já que nem sempre eram possíveis lê-los.

Portanto, saber ler não era pré-requisito para se ter cultura. Além disso, em se tratando de uma mulher na palestina no tempo de Jesus, eram bem poucas as chances de que ela fosse dada a oportunidade de saber ler.

Assim, do ponto de vista de percentuais, grande é a chance de Maria não ter sido alfabetizada, o que não estamos querendo dizer com isso, que não tenha sido. Apenas dizemos de probabilidades. O que é certo, e podemos dizer com total segurança, é que a Mãe do Senhor tinha grande cultura, e muito mais ainda, uma cultura espiritual, uma espiritualidade inteligente.

Muitos chegam a dizer que Maria teria sido educada no Templo, que era não só boa leitora, como também, boa redatora. É possível, porém, não certo. Não estamos querendo trabalhar com hipóteses.

No tempo de Maria, o judaísmo não era simplesmente uma religião, era uma cultura. Entre os hebreus não se podia escolher a que religião seguir, simplesmente eram judeus. Não havia shoppings, cinemas, teatros, ou outras diversões quaisquer, o que havia era a sinagoga, e que todos frequentavam, a sinagoga era a vida das pessoas. Nazaré era uma pequena cidade, a sinagoga deveria ser próxima de tudo, e era ali onde eles aprendiam e praticavam seus princípios de moral elevada.

Como dissemos, Maria era um Espírito elevado e sem comprometimentos no campo expiatório, por isso aprendia fácil, com certeza memorizava bem, e vivenciava o que aprendia, não era culta dentro de nosso padrão atual, era sábia.

Por que podemos dizer isso com certeza? O Evangelho nos dá mostra disto a toda hora, e além do mais, Maria foi a educadora do maior Sábio de todos os tempos, e só isso bastaria para dizer que ela foi entre todas a melhor educadora.


Por Cláudio Farjardo
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