quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sentimento e Moralidade precedem à Intelectualidade


Por Jorge Hessen

Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre? Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas. [1]

Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, que entretanto desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas. Todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart?, Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).

Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossos bisavós padeceram com máquinas de escrever, e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet ou um smartphone ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.

Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual e moral, pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educativa da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da moralidade e da inteligência.

“Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor”. [2] Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”. [3] Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.

Considerando que o colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição. [4]

Lamentavelmente, a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos da moralidade e do coração nos caminhos da vida.

Referências bibliográficas:

[1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed FEB, 2000
[2] Xavier, Francisco Cândido. Espírito de Emmanuel.
[3] Idem.
[4] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed FEB, 2000

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Velocidade do Tempo e das Escolhas


Por Doris Madeira Gandres

Tem sido muito comum e generalizado o comentário: “meu Deus, como o tempo está passando rápido”; “nossa, já é Natal novamente”; “céus, meu dia não rende mais, não tenho mais tempo pra nada” – e assim por diante. Ouvem-se tais afirmações de pessoas de todas as idades, vivendo nas mais diversas situações, atuando nos mais diversos meios ou simplesmente já em fase de afastamento do que se chama “vida ativa”, isto é, os aposentados; e também daqueles que ainda estão no início de sua nova fase reencarnatória.

Todos que ouvimos notícias, lemos jornais e revistas, assistimos a noticiários, acessamos a internet, temos tido a oportunidade de ler, ver ou ouvir a respeito da “Ressonância Schurmann”, teoria já em estudo por vários cientistas e que demonstra a aceleração da pulsação do Universo, em geral – o que significa, em termos de avaliação desses cientistas, que o tempo, como o conhecemos aqui em nosso planeta, está passando mais rápido; que o dia antes correspondendo, de acordo com o ritmo de pulsação existente até pouco tempo, a 24 horas, hoje se restringe a 16 horas...

Isso nos parece de difícil compreensão, visto que poucos de nós temos o conhecimento necessário de Física e de Física Quântica que possa nos auxiliar a entender essa teoria, praticamente comprovada. Contudo, o que podemos constatar é que efetivamente o tempo parece estar passando muito mais rápido para todo o mundo que conhecemos – todos reclamam dessa “sensação” (ou não será sensação?), sem que se possa definir por que sentimos esse efeito.

A verdade é que se verifica uma “aceleração” na ocorrência dos fatos do nosso entorno e no mundo; é certo também que a mídia hoje é muito mais atuante e invasiva, gerando a impressão de uma proximidade maior entre criaturas e situações de todas as partes do mundo. Isso cria ainda uma monumental carga de informações que nos obriga a trabalhar num processo de assimilação e, quando necessário, de utilização, também muito mais rápida dessas informações.

No início do mês de outubro, dia 02 exatamente, estive em um congresso sobre mediunidade nos dias atuais, em que um companheiro de ideal, André Trigueiro, chamou a atenção para o efeito do excesso de energia consumida sem retorno real para o crescimento espiritual, quando levantou o problema da dispersão da atenção e do foco, originada pelo uso abusivo dos meios de comunicação e entretenimento hoje ao nosso alcance, inclusive ressaltando uma questão digna da maior reflexão de nossa parte: “maior dispersão: armadilha espiritual” – o que pode ser resultado de processo obsessivo ou mesmo anímico.

Citou ainda a advertência de Muniz Sodré, professor doutor titular da Escola de Comunicação da UFRJ: “A multiplicidade dos fatos informativos não resulta no aperfeiçoamento do cidadão”. Nós, espíritas, só podemos concordar com essa afirmativa – não é a teoria que nos promove a elevação espiritual, mas sim o bom uso dessa teoria, se ela for boa, logicamente! Não basta conhecermos de cor toda a Codificação Espírita, em que fulgura a moral do Cristo na vivência das Leis Divinas, se não nos dispusermos, mesmo com dificuldades e percalços, a lutar o “bom combate” ao qual se referia Paulo de Tarso, ou seja, a “envidar todos os esforços para vencer as nossas más inclinações e nos melhorarmos”.

Não se trata obviamente de fechar os olhos e os ouvidos para não tomar conhecimento dos fatos e dados que o progresso científico-cultural nos proporciona, mas de qualificar e não de quantificar as nossas escolhas; de fazer um melhor planejamento das nossas atribuições e compromissos e melhor adequá-los às nossas possibilidades e condições de bem atendê-los; de fazer uso inteligente dessas possibilidades e condições, no sentido de proporcionar oportunidades de crescimento intelectual e moral e, promover assim, a nosso favor e a favor dos que caminham conosco, um avanço mais tranquilo e seguro na estrada evolutiva.

Sabemos que as etapas reencarnatórias são transitórias, que as existências físicas são experiências necessárias à conquista de atributos imperecíveis para o bom relacionamento de criaturas nos dois planos da vida, criaturas imortais e com a eternidade ao seu dispor; assim, cabe-nos a responsabilidade de estabelecer estratégias de procedimentos benéficos, gerindo, da melhor forma possível, as novas situações que o avanço tecnológico, científico e intelectual nos oferece.

Cada vez mais se faz necessário encontrar tempo, apesar do “pouco tempo”, para o autoexame, a autoanálise, o tão conhecido “conhece-te a ti mesmo” – e isso é fruto de reflexão, de meditação, de avaliação criteriosa e sincera de nós mesmos em todos os aspectos; cada vez mais, faz-se necessário “o amar a si mesmo”, tal como o Mestre Jesus nos recomendou: não com egoísmo e orgulho, mas com respeito e carinho para com os “deuses” que somos, “capazes de fazer tudo o que Ele fez e muito mais”, não permitindo que excessos ou carências de qualquer tipo possam retardar indefinidamente a nossa ascensão.

sábado, 16 de setembro de 2017

A Consciência



Por Temi Mary Faccio Simionato

A mente é uma faculdade do espírito e não do cérebro, e é formada pelo pensamento, sentimento e vontade.

Herdeiros de si mesmo, das experiências passadas, evoluímos por etapas, adquirindo novos recursos, corrigindo erros anteriores, somando conquistas.

Jamais retrocedemos nesse processo, mesmo quando aparentemente reencarnamos dentro das paredes da enfermidade limitadora que bloqueiam o corpo, a mente ou a emoção, gerando sofrimentos. A aquisição da consciência é desafio da vida, é o autoconhecimento que merece exame, consideração, trabalho, discernimento, lucidez e livre-arbítrio.

Nós, como Espíritos, voltamos várias vezes, tomando novo corpo de carne sobre a Terra, a fim de tornar a conviver como homem na sociedade e, exatamente como este, somos levados a trocar de roupa muitas vezes.

As qualidades morais, assim como as intelectuais, dependem do Espírito, nunca do corpo. Amor, bondade, ternura, caráter e outras qualidades têm a sua origem na organização espiritual, que iniciou simples e ignorante, mas aprendeu viajando pelos caminhos da imortalidade.

A conscientização da imperfeição humana e da brevidade da vida física nos conduz à humildade, reconhecendo a transitoriedade das condições materiais, a constante impermanência dos cargos, das classes, das posses e de tudo o mais, no que o eu adoecido se apoie para justificar-se senhor.

Joanna de Ângelis nos diz “a mudança de atitude em relação à vida e aos relacionamentos em nosso trabalho de edificação, torna-se o recurso mais produtivo que nos dá equilíbrio e nos liberta das cargas conflitivas”.

Ao nos tornarmos conscientes, podemos viver em harmonia com a nossa própria natureza. Tomaremos conhecimento da origem dos nossos conflitos, possibilitando assim uma expansão constante de nossa consciência. Quando nos propomos a um autoexame honesto, encontramos uma força interior na qual residem todas as possibilidades de renovação.

À medida que o Espírito se aprimora, o corpo torna-se mais etéreo ou menos denso, demonstrando o seu grau de sintonia com a centelha Divina. A realidade espiritual pouco a pouco se revela, conforme a evolução do próprio ser, no seu processo de lapidação de valores e despertamento das leis que, na consciência, dormem ocultos.

Devemos olhar para nossa realidade como ela é, aceitando-nos sem culpa e sem compactuar com nossa inferioridade; também devemos evitar fugir através de justificativas a respeito do nosso passado ou expectativas vazias do futuro. É importante reconhecer que o passado está gerando frutos no presente e que o futuro aponta para novos ideais; isto deve ser feito de forma equilibrada, não nos esquecendo de que o trabalho se faz nesse instante com a realidade atual.

Somos resultado deste estado mental, no qual o pensamento, orientado pela vontade e intensidade dos nossos sentimentos, tem a força de construir ou destruir em todos os momentos da nossa vida.

Estamos sempre sintonizados e criando alguma coisa, seja para o bem ou para o mal.

Uma das atitudes essenciais para o nosso aprimoramento é a ligação mental com Deus; junto com a aceitação de nós mesmos, temos que buscar a unidade com nosso Pai para que nossas forças espirituais possam ser alimentadas e sejamos inspirados na busca do melhor.

Buscando essa ligação íntima, estamos buscando o encontro com a Fonte da Vida que nos sustenta.

Sem o devido cuidado conosco, através do amor por nós enquanto filhos do Amor Maior, não poderemos estabelecer o amor com os demais. Amar a si é buscar o entendimento da nossa realidade, é ter a consciência de nossa condição espiritual e da capacidade da nossa mente.

Experimentemos a alegria e entreguemo-nos a Deus, cantando um hino de louvor.

Permitamos, dessa forma, que Ele nos liberte da opressão da ignorância, facultando-nos a alegria da felicidade.

Portanto, no dia em que assumirmos nossa pequenez frente à Grandeza Divina, aquele eu enganado conseguirá abrir espaço para a presença do eu interior e, então, promoveremos o processo de Cristificação, imortalizada na frase do grande Apóstolo do Cristo “Eu vivo, mas não sou mais eu: O Cristo vive em mim”.

Bibliografia:

Peralva, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9ª edição, Rio de Janeiro, 2011, ED FEB. Pág.: 141, 142, 145.
Franco, Divaldo – pelo Espírito de Joanna de Ângelis. Refletindo a Alma. 1ª edição, Salvador, 2011, ED LEAL. Pág.: 68, 73, 76, 88, 194, 195, 206, 212, 213, 275, 276.
Franco, Divaldo. Carta psicografada. 18/11/97. Porto Alegre.
Franco, Divaldo – pelo Espírito Joanna de Ângelis. Momentos de alegria - A Consciência (cap. 5). 4ª edição, Salvador, 2014, ED. LEAL.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Obsessão - O que é, e como tratá-la



Por Marcos Paterra

Na doutrina ouvimos muito o termo “Obsessão”, e por conta disso por vezes rotulamos de obsidiados algumas pessoas com problemas, mas devemos levar atentar de que “obsessão”, segundo Allan Kardec, é o nome para o assédio extra físico que uma pessoa pode vir a sofrer. Para Kardec, estamos sempre rodeados e sendo intuídos por espíritos. Estes, de forma geral, podem ser classificados como “bons”, “maus” ou “neutros”. O termo obsessão é utilizado apenas para a influência do segundo caso, ou seja, dos “maus” espíritos.

“Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão, que é um dos eleitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.”[1]

Normalmente se atribui o “rotulo” de obsidiado, àqueles que aparentam estar fora de si, os vulgarmente chamados de “loucos”, devemos separar a loucura patológica causada por lesões cerebrais das causadas por obsessões.

“Quem vê um louco vê um obsidiado, tanto que até hoje se tem confundido um com o outro. O mesmo olhar desvairado, a mesma apatia fisionômica, ora a excitação até a fúria, ora a prostração até ao indiferentismo, sempre a incoerência das ideias. Se um tem momentos lúcidos, o outro igualmente os tem; se um pode cair no idiotismo, o outro também.” [2]

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda, transitória da identidade com manutenção de consciência do meio ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.

"Não confundamos a loucura patológica com a obsessão; esta não provém de lesão alguma cerebral, mas da subjugação que Espíritos malévolos exercem sobre certos indivíduos, e que, muitas vezes, têm as aparências da loucura propriamente dita.”.[3]

Sobre essa ótica, devemos levar em conta que mesmo os chamados “loucos”, sofreram ou sofrem de obsessões, Bezerra de Menezes comenta:

“Convém, porém, observar que, embora a loucura por obsessão não dependa de lesão cerebral, pode esta lesão vir a dar-se, por causa da obsessão.

Não é causa; mas pode vir a ser efeito.

A ação fluídica do obsessor sobre o cérebro, se não for removida a tempo, dará necessariamente em resultado o sofrimento orgânico daquela víscera, tanto mais profundo, quanto mais tempo estiver sob a influência deletéria daqueles fluidos”
Mais adiante complementa: “[...] a obsessão desprezada determina lesão orgânica do cérebro, donde a coexistência das duas causas da perturbação mental. ”[4]

Muitos podem perguntar o que teriam feito essas pessoas para sofrerem influencias de maus espíritos, e a resposta quem nos dá é J. Herculano Pires:

“Se voltassem os olhos para o passado, veriam que a História da Humanidade é suficiente para justificar todas as formas de obsessão e vampirismo que campeiam no planeta, desde as nações mais bárbaras às mais civilizadas.”[5]

Sobre esse aspecto Divaldo Franco em sua obra “Nos Bastidores da Obsessão” ditado pelo espírito de Manuel Philomeno de Miranda completa:

“As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espírito. É, às vezes, uma vingança que este toma de um indivíduo de quem guarda queixas do tempo de outra existência. Muitas vezes, também, não há mais do que desejo de fazer mal: o Espírito, como sofre, entende de fazer que os outros sofram; encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a impaciência que por isso a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se [...]”.[6]

O tratamento das vítimas de obsessão é longo e exige determinação tanto do paciente quanto dos médiuns que o tratam, sobre esse prisma voltamos a nos embasar no livro “ Nos Bastidores da Obsessão”:

“A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente.

Os tratamentos da obsessão, por conseguinte, são complexos, impondo alta dose de renúncia e abnegação àqueles que se oferecem e se dedicam a tal mister[...]”[7]

Finalizando devemos levar em conta a “ auto obsessão”, onde somos a causa de nosso desiquilíbrio mental.

A auto- obsessão é às viciações milenares que embrutecem o espírito, ora se deixa influenciar por impulsos primários, como a inveja, o egoísmo, a luxúria e o ciúme, ora se entrega a injustificáveis explosões coléricas, motivadas pelo cultivo prolongado da irritabilidade e da impaciência.

“A prece é um meio eficaz para curar a obsessão?

R: A prece é um poderoso socorro para todos os casos, mas sabei que não é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto, que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.”[8]


Publicado em janeiro de 2012 pela RIE (Revista Internacional de Espiritismo)



[1] Allan Kardec, “A Gênese”, 14ª edição da FEB, capítulo 14. “Obsessões e Possessões”. ( Nota do Autor espiritual.)
[2] Trecho retirado do Cap. “Obsessão” do livro : “Loucura sob novo prisma” obra de Bezerra de Menezes
[3] Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos” .
[4] Trechos retirados do Cap. “Obsessão” do livro : “Loucura sob novo prisma” obra de Bezerra de Menezes.
[5] Trecho retirado do livro “Vampirismo” Cap. VIII- “Autovampirismo” de J. Herculano Pires; Ed. Paidéia, São Paulo/SP.
[6] Trecho retirado do livro “Nos Bastidores da Obsessão” Cap. “Examinando a Obsessão” obra de Divaldo Franco.
[7] Trecho retirado do livro “Nos Bastidores da Obsessão” Cap. “Examinando a Obsessão” obra de Divaldo Franco.
[8] Questão 479 do Livro dos Espíritos- Allan Kardec.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O Homem e a Geração do Futuro


Por Altamirando Carneiro

Revendo as edições anteriores do jornal "O Semeador", órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo, encontrei no número 632, referente à segunda quinzena de outubro de 1990, texto final de uma série que o jornal publicou da palestra proferida em 16 de junho de 1985, no Setor III da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, da Aliança Espírita Evangélica, na capital paulista, por Valentim Lorenzetti (17/2/1938 - 14/8/1990) sobre o tema "O Homem do Futuro".

Lorenzetti fala sobre algumas características que, segundo Cal Rogers, identificam o homem do futuro: o indivíduo aberto para novas maneiras de ver e de ser, novas ideias, novos conceitos. Respeitador da experiência de seu semelhante. São pessoas dedicadas ao outro.

Profundamente harmonizado com a natureza e com as Leis Divinas, é ligado à flora, à Ecologia, ao respeito pelos animais. Acha que as instituições são feitas para servir ao homem. É contra a instituição rígida, inflexível, que não muda nunca, que é a mesma coisa há milênios, ou há dezenas de anos; que não absorve a experiência de ninguém, que não quer saber da experiência de outrem.

O homem do futuro é um homem que cresceu, é um homem adulto. Não precisa ninguém dizer-lhe: faça isso. Sabe exatamente o que é essencial para ele. É muito mais ligado às coisas espirituais. Seus heróis são personalidades com Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Teilhard de Chardin.

Lorenzetti reporta-se a Allan Kardec, no capítulo XVIII de A Gênese, quando fala sobre a nossa geração, a mesma geração retratada por Rogers em seu livro e em sua obra psicológica: uma geração moral. Diz que cabe a nós reforçarmos a chegada desse homem. Ele pode estar entre nós. Entre nossos filhos, em casa, entre nossos amigos.

O homem do futuro é o que apresenta todas as características do homem de bem, explícitas em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questão 918: o que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade na sua mais completa pureza; faz o bem pelo bem; é bom, humano e benevolente; considera os dons como depósitos, para serem usados para o bem; trata com bondade e benevolência a todos; é indulgente para com as fraquezas dos outros; não é vingativo; respeita os direitos dos semelhantes, como desejaria que respeitassem os seus.

São esses Espíritos que contribuirão para a regeneração da Humanidade. Contudo, segundo A Gênese, essa regeneração não exige a renovação integral dos Espíritos, mas a modificação em suas disposições morais, que se opera em todos os que estejam dispostos.

Composta por Espíritos melhores ou Espíritos antigos que se melhoraram, diz A Gênese que "o resultado é sempre o mesmo. Desde que trazem disposições melhores, há sempre uma renovação, assim, segundo suas disposições naturais, os Espíritos encarnados formam duas categorias: de um lado, os retardatários, que partem; de outro, os progressistas, que chegam. O estado de costumes da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, em relação com aquela das duas categorias que preponderam".

Ainda no capítulo citado, em "Sinais dos Tempos": "a geração que desaparece levará consigo seus erros e prejuízos; a geração que surge, retemperada em fonte mais pura, imbuída de ideias mais sãs, imprimirá ao mundo ascensional movimento, no sentido do progresso moral que assimilará a nova fase da evolução humana".

domingo, 10 de setembro de 2017

O Silêncio que fala Alto



Por Luiz Guimarães G. de Sá

Se soubéssemos como o silêncio é útil, daríamos mais tempo a seu uso. O recolhimento cria um ambiente próprio para a oração e reflexão. Temos também na música a figura da pausa, onde o instrumentista não toca, bem como na fermata, que é a parada do compasso musical sobre uma nota. São momentos em que o silêncio se faz presente, se impõe.

Quando estamos planejando algo que nos interessa realizar, ele faz parte desse trabalho. O corpo em descanso ausenta-se do ambiente externo através do sono e mergulhamos num silêncio profundo...

Mas há um silêncio que fala alto! É aquele que ecoa ao fazermos um mergulho interior. Há uma voz que não cala, muito pelo contrário, de forma impertinente e particular se faz ouvir: é a voz da nossa consciência. É esse silêncio tão sutil que queremos enfatizar. Ele nos leva a uma análise qualitativa daquilo que fomos e sempre seremos: Espírito.

Essa luz de alerta não nos deixa, não nos abandona! Ela permanece viva e radiante bastando tão somente atentarmos para sua presença. É assim que iluminamos a nossa alma e enxergamos a maneira de ser nessa existência. Mesmo após o desencarne, ela brilha além-túmulo fazendo-nos viver uma realidade tão marcante que sempre esteve conosco de forma imperceptível...

Essa concepção é salutar e necessária para crescermos espiritualmente. Só poderemos melhorar naquilo que conhecemos, e se nos ignoramos não teremos condições de alcançar o aperfeiçoamento colimado.

A importância do silêncio está também expressa nas frases de Fernando Pessoa e Machado de Assis, respectivamente: “Existe no silêncio tão profunda sabedoria que às vezes ele transforma-se na mais perfeita resposta”; “O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio”.

Já nos sábios provérbios chineses encontramos: “A palavra é prata, o silêncio é ouro”. Assim temos no “vazio” do silêncio um celeiro repleto de informações que nos despertarão para a lucidez necessária para sermos coerentes nos passos que damos na vida...

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Importância do "Instruí-vos"


Por Alexandre Fontes da Fonseca

“Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” Assim se expressou o Espírito de Verdade no item 5 do capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Entendemos bem a importância e a necessidade do amor, mas nem sempre percebemos o alcance do segundo ensinamento: instruí-vos. Para esclarecer isso, vejamos a escala espírita, itens de 100 a 113 de O Livro dos Espíritos (LE), especificamente o item 107 que descreve as características da 2ª ordem – Bons Espíritos: “Predominância do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Os mais avançados reúnem o saber às qualidades morais.”

Se o desejo do bem, oriundo do amor, determina a principal característica de um bom Espírito, a hierarquia das subclasses pertencentes à 2ª ordem (itens de 108 a 111 de LE), mostra que do menos para o mais evoluído, o que difere os Espíritos é o conhecimento e a sabedoria.

Paulo de Tarso, falando do amor deixa claro que “ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”(1 Coríntios 13:2). Então, por que o conhecimento e a sabedoria hierarquizam os bons Espíritos na 2ª ordem da escala espírita? O amor não deveria ser a mais importante condição de elevação? De fato, o amor é condição necessária para o progresso espiritual. Por isso amai-vos é o primeiro ensinamento. Mas, para entender a importância do instruí-vos, analisemos Mahatma Gandhi.

Gandhi mostrou ao mundo que é possível realizar uma verdadeira revolução social através do princípio da não-agressão. Suas orientações ao povo indiano para realizarem protestos pacíficos, sem violência, levaram à independência política da Índia em 15 de agosto de 1947. Mas Gandhi não conseguiu isso apenas com vibrações de amor e preces. Cada orientação dada ao povo foi idealizada de modo racional de acordo com o conhecimento das leis da Inglaterra. Gandhi, que estudara direito na Inglaterra, conhecia as leis civis inglesas e as utilizou em favor de ideal de libertação da nação indiana. Não bastaria só o amor de Gandhi pelas pessoas; foi necessária a combinação do amor pela humanidade com sua capacidade intelectual para revolucionar a Índia.

Estudantes de todo o mundo, não busquemos apenas “obter nota para passar”, mas aprendamos, pois, o conhecimento liberta. Nós que escolhemos o Espiritismo como caminho, aproveitemos as oportunidades de estudo da Doutrina Espírita que as casas espíritas oferecem. Nos esforcemos pelo instruí-vos não por obrigação, mas por amor à Deus e às criaturas pois para quem já tem amor no coração, saber mais significa ajudar mais e melhor!

Jornal Momento Espírita 40, p. 7 (abril - 2013)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Consciência Universal - uma Globalização Planetária



Por Luís de Almeida

Depois de 15 bilhões de anos e alguns milhares de civilização, aqui estamos nós. Desde o Big Bang, a evolução continua, criando sempre estruturas mais complexas, das quais somos o mais belo expoente, rumo a uma consciência universal.

As partículas, os átomos, as moléculas, as macromoléculas, as células, os primeiros organismos, as populações, os ecossistemas, e por fim o homem... A evolução continua, mas desta vez é sobretudo técnica e social. A cultura tomou o testemunho. Estamos num ponto de viragem da história análogo ao do surgimento da vida.

Após as fases cósmica, química e biológica inauguramos o quarto capítulo do grande livro da vida, em que a humanidade será protagonista no terceiro milénio. Acedemos a uma consciência de nós próprios, que se tornará coletiva.

Dizemos, com toda a modéstia, que estaremos a criar uma nova fórmula de vida: um macrorganismo planetário, englobante do mundo vivo e produções humanas. Seremos as células, e ele também evolui. Tem o seu sistema nervoso próprio, no qual a Internet é um embrião, e um metabolismo que recicla os materiais. Este cérebro global, criado de sistemas interdependentes, une os homens à velocidade do electrão, revolucionando, assim, as imensas trocas culturais, intelectuais e morais.

Não sendo uma seleção natural, mas sim cultural, as nossas invenções e a nossa nova consciência são as mutações darwinistas. No entanto, esta evolução técnica e cultural progride muito mais rapidamente do que a evolução biológica de Darwin. O homem cria novas "espécies"; o computador cria os satélites, a televisão, a rádio, o telefone, o avião...

Agora, é o homem que faz a seleção darwinista; não observamos o mercado, que seleciona, elimina e faz a escolha dos mais aptos e capazes, das novas "espécies"? A grande diferença é que o homem pode criar, no abstrato, tantas "espécies" quantas desejar. Esta nova evolução desmaterializa o homem. Entre o mundo real e o imaginário, o homem inclui um novo mundo - o virtual -, que lhe permite elaborar e testar objetos e máquinas que ainda não existem, bem como explorar universos artificiais. Para espanto de todos nós, ou não, esta evolução cultural segue a mesma lógica da evolução natural das espécies.

A complexidade segue a sua obra, mas libertando-se, a pouco e pouco, do pesado fardo da matéria. De certo modo, reencontramos o Big Bang, a explosão de energia, muito semelhante ao inverso do «ponto ómega», sendo uma implosão do espírito liberto da matéria. E se abstraíssemos o tempo poderíamos confundir os dois.

O homem deve ainda aperfeiçoar-se muito mais. Quando as células se associam, alcançam uma individualidade muito maior do que se estivessem isoladas. A fase da macrorganização comporta um risco de homogeneização planetária, mas também germes de diversificação. Quanto mais o planeta se globaliza mais se diferencia.

As metáforas mecânicas, as engrenagens, os relógios, dominaram o início do século. São agora as metáforas dos organismos as mais pedagógicas, na condição de não as tomarmos à letra. O organismo planetário que criamos exterioriza as nossas funções e os nossos sentidos: a nossa visão pela televisão, a nossa memória pelos computadores, as nossas pernas pelos transportes... Mas mantém-se de pé a grande questão: iremos viver em simbiose com esse organismo planetário ou tornar-nos-emos parasitas destruidores do hospedeiro, o que nos atiraria para graves crises económicas, ecológicas e sociais?

Atualmente, drenamos, em proveito próprio, recursos energéticos, informações, materiais; e segregamos dejetos no meio ambiente, empobrecendo constantemente o sistema que nos sustenta. Somos parasitas de nós próprios, dado que algumas sociedades industrializadas travam o desenvolvimento das outras.

Se continuarmos na via atual, acabaremos parasitas da Terra.

Num organismo existe um sistema de alarme e de cura. Se o organismo se ferir, o corpo inteiro é mobilizado. É imperioso criar um sistema análogo para o planeta. A ONU, e as inúmeras associações humanitárias, já são esboços desse sistema, mas precisamos de ir muito mais longe. Aí está o papel catalítico do Espiritismo. Se soubermos que existe um ente superior, que nos rege e orienta, que a vida continua (a morte não existe), que a reencarnação é um facto irrefutável, que a lei de causa e efeito é uma realidade, e se conhecermos donde vimos, para onde vamos e o que fazemos aqui, muitos de nós teremos comportamentos diferentes perante a sociedade e o planeta.

Ora, a importância do Espiritismo está aí...

Hoje, não faz qualquer sentido, embora seja de louvar algumas atitudes, por parte dos ecologistas e de todos aqueles que procuram defender o planeta do homem, encerrar a variedade dos seres em guetos, para criar reservas. Quando vemos os bosquímanos, ou ameríndios, relegados para o que chamamos, muito cruelmente, «reservas», perguntamos quem somos nós para termos tal atitude, indigna de um ser humano. Não serão essas prisões ou reservas pequenas ilhas que nos oferecemos para nosso belo prazer, até fazendo excursões turísticas para vermos nossos semelhantes? Pensamos que estas populações não têm outra solução, como vemos ao longo da história, que não seja misturarem-se, genética e culturalmente, conosco, ou então desaparecerão.

Hoje, observando os ainda masai - tribo africana, das margens da caldeira de N'Gorongoro -, que passam a vida no meio dos leões, rinocerontes, búfalos, etc., todos eles bichinhos não especialmente ternos, compreendemos que se pode viver em paz com todos, e com o meio.

Não deixemos que a nostalgia e a petulância nos invadam a mente. Pensemos, isso sim, na importância de encontrarmos, em conjunto, a harmonia e o equilíbrio entre a Terra e a tecnologia, e entre a ecologia e a economia, para assim evitarmos crises. Deveremos observar e estudar as lições que nos dá o conhecimento sobre a evolução da complexidade. Compreender a nossa história pode dar o recuo necessário, um sentido ao que fazemos, e maior sageza. É inegável o crescimento de uma inteligência coletiva, num humanismo tecnológico. Aí está o Espiritismo para corroborar, ensinando, esclarecendo e amando.

Cada vez mais estamos prestes a perder a diversidade: a cultura humana torna-se cada vez mais homogénea, o mundo torna-se global, o planeta mais pequeno. As pessoas viajam muito, quer física quer virtualmente. Misturando-se, desta forma, as culturas, dá-se o fenómeno da aculturação. O homem acumula um conhecimento crescente, progride para um maior saber, uma maior liberdade, para uma cultura mais complexa. Seguimos a mesma lógica da matéria e da vida. A nossa história tem um sentido, uma lógica; não acreditamos nem na contingência nem no acaso, que aos olhos de alguns cientistas só parecem intervir quando estudam períodos muito curtos.

As sociedades humanas organizam-se cada vez melhor. A pouco e pouco temos a consciência do meio ambiente que nos rodeia e de nós próprios. Vejamos a ONU. Estes organismos têm conhecido inúmeras dificuldades. Considerando-se, porém, as coisas com o devido distanciamento, descobre-se que o homem tomou consciência da sua condição mundial em apenas 70 anos; o que é isso, comparado com a nossa história?

A humanidade atual já chegou a um certo nível de reflexão, embora nos pareça muito jovem. Numerosas dificuldades do nosso tempo provêm do facto de muitas populações terem apenas uma informação muito reduzida do mundo; mas a providência divina não deixa as coisas entregues ao acaso, já que o acaso não existe.

No limiar deste século o homem inventou duas maneiras de se autodestruir: o excesso de armamento nuclear, atómico e biológico, e a deterioração do ambiente.

Atualmente, coloca-se uma questão: estaremos capacitados para coexistir com o nosso próprio poder? Se a resposta for não, a evolução continuará sem nós. Como Sísifo, teremos levado o rochedo até ao alto da montanha, para logo de seguida o deixarmos escapar. É um pouco ridículo, não é? Temos de ter plena consciência da gravidade da situação presente, mantendo, contudo, o optimismo. Temos de deitar mão a todos os nossos recursos, intelectuais, culturais, tecnológicos e sobretudo morais, para salvar o planeta, antes que seja tarde. Somos os responsáveis pelos danos causados, quer ativos quer passivos, e também seus herdeiros. É a nós que compete fazer com que este delicioso planeta continue vivendo, mas com saúde.

Estão reunidos todos os meios para que possamos (praticando primeiro) transmitir que a fraternidade é, e será, a pedra angular da felicidade humana e planetária.

Então regeneremo-nos, senão seremos como Sísifo.

Sejamos espíritas, no verdadeiro sentido da palavra. A hora é de unidade fraternal - o saber amar.

Terminamos com uma mensagem psicografada por Divaldo Pereira Franco, na Associação Cultural Espiritualista de Viseu, em maio de 1993, pelo espírito do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes:

«(...) Aqui estamos, em nome dos espíritas do Brasil e de Portugal, pelo laço da fraternidade, para dizer-vos que antes de encarnardes vos comprometestes com a construção da era nova e de um mundo melhor.

Obreiros da fé renovada, ide adiante, confiantes e felizes, e o Senhor irá convosco.»

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Anotações sobre Ciência e Religião


Por Claudio Bueno da Silva

A origem dos povos antigos se confunde com a história de suas religiões. E como toda religião tenta explicar o princípio das coisas, dos seres, a formação do mundo, seus primeiros livros sagrados tratavam da religião e ao mesmo tempo da ciência, refletindo o conhecimento que se tinha na época.

Ciência e Religião são as duas alavancas da inteligência humana. A missão da Ciência é descobrir as leis da natureza. A missão da Religião é desvendar as leis do mundo moral. Tanto uma quanto a outra têm o mesmo princípio: Deus. Portanto, não podem contradizer-se. ¹

Essas forças têm impulsionado o desenvolvimento humano ao longo do tempo, acentuando características próprias do seu campo de ação, científico ou religioso. Contudo, a história registra também, em certos períodos, estagnações provisórias no seu progresso.

A civilização egípcia, cujo legado científico impressiona até os dias de hoje, pode ser citada como exemplo clássico de desenvolvimento na antiguidade.

A concepção do Deus único e os Dez Mandamentos de Moisés registraram um período importante para a humanidade, em que leis de essência divina foram apresentadas concomitantemente a regras e preceitos de caráter transitório para controle da ordem e da disciplina. A ideia do sagrado e a força das tradições oriundas de erros de interpretação desse conjunto arrastaram pelos séculos afora conceitos e pensamentos hoje inaceitáveis pelo bom senso, mas que ainda vigoram no espírito de milhões de pessoas como verdades absolutas.

O aparecimento de Jesus de Nazaré na Terra desencadeou um movimento religioso cujos princípios se mantiveram fiéis à sua pregação original por cerca de três séculos. Mesmo perdendo as características dos primeiros tempos, se alastrou e influiu fortemente na formação religiosa de boa parte do mundo.

Do século V ao XV (cerca de 1000 anos) a humanidade protagonizou através do domínio religioso um dos períodos mais tristes da sua evolução com as chamadas guerras santas, as cruzadas, as fogueiras da inquisição, que produziram perseguição, tortura e morte. O mundo pouco evoluiu nesse período, estando a ciência e a cultura muito atreladas ao poder quase absoluto das ordens religiosas católicas.

Um pouco mais tarde, no entanto, missionários como Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Isaac Newton e inumeráveis outros reencarnam na Terra, contribuindo com a sua ciência para o progresso humano, dando já ao pensamento científico ares um pouco mais independentes.

De certo modo, Ciência e Religião se revezaram no direcionamento da caminhada humana, com predominância acentuada desta última, que fazia ou não concessões àquela, segundo as suas conveniências.

Entre erros e acertos de ambas ao longo do tempo, talvez nada se compare à afronta que sofreu o ensino moral de Jesus na Idade Média, promovido pela incúria religiosa, descaracterizando, falseando, adulterando as ideias originais do Cristianismo.

A secular e desarrazoada incompatibilidade entre Religião e Ciência, alimentada pelo orgulho e exclusivismo de uma e outra, fomentou a incredulidade e a intolerância. A Religião, desprezando as leis orgânicas e imutáveis da matéria, se prendeu aos dogmas artificiais, posicionando a fé em conceitos incertos. A Ciência, decepcionada com o misticismo e a irracionalidade do pensamento, reforçou suas trincheiras com a negação de Deus e o acolhimento das teorias da materialidade, muito ajudada nisso pelas filosofias materialistas.

Fenômenos culturais, políticos, econômicos e sociais de repercussão mundial como o Iluminismo, a Revolução Francesa, a Revolução Industrial, com suas peculiaridades e exigências intrínsecas, dentre outras causas, contribuíram para agravar o antagonismo e aumentar a distância entre elas.

Em meados do século XIX surge o Espiritismo, como proposta anunciada para complementar os ensinos de Jesus e descerrar os véus de mistério deixados por ele para quando chegasse o tempo certo, com a humanidade mais adiantada e esclarecida pelas descobertas científicas. O principal foco a combater: o materialismo.

O volume de informações de interesse universal trazido por essa doutrina é muito grande, de modo que os homens, ajudados pelo avanço das ciências, já estão aptos a compreender as leis do mundo moral e espiritual reveladas pelo Espiritismo.

Homens de ciência começam então a considerar informações relacionadas ao mundo do Espírito, respaldadas pela pesquisa e estudos responsáveis com objetivos intrinsecamente humanitários, e, mais recentemente, vêm trabalhando experiências que “espiritualizam” o pensamento científico.

Homens de religião, sendo forçados pelas evidências científicas que desconstroem velhos e desacreditados dogmas, tendem a voltar suas vistas para o homem integral, considerando como necessária a revisão dos seus discursos doutrinários místicos e míticos.

Os Espíritos afirmam que chegaram os tempos de grandes transformações na Terra, e Ciência e Religião são chamadas a aproximar-se, somando suas experiências conquistadas e a conquistar para impulsionar de vez a humanidade para a era do Espírito, onde finalmente o homem compreenderá de onde veio, para onde vai, e qual é o objetivo da vida na Terra.


¹ Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, “Aliança da Ciência com a Religião”, LAKE Editora, 1975.

sábado, 2 de setembro de 2017

Especial do Mês

Artigos Espíritas com temas da atualidade e doutrinários escritos por uma variedade de autores médiuns, oradores ou profitentes espíritas compõem as postagens do especial desse mês, do Manancial de Luz.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A Maledicência

Por que falamos mal uns dos outros? Será que é porque não estamos evoluídos moralmente? Como podemos enxergar o bem nas pessoas? Confira a resposta de Jether Jacomini Filho no Sem Dúvida.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Efemérides Espíritas: Nascimento de Bezerra de Menezes

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831 na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, hoje Jaguaretama, no estado do Ceará.

Essa é a nossa homenagem a Bezerra de Menezes no dia de aniversário de seu nascimento.

domingo, 27 de agosto de 2017

Colônias Espirituais e Umbral

Como são as colônias espirituais? A mais conhecida descrita pelos espíritos "Nosso Lar" é a que mais se aproxima do planeta Terra? No umbral e nos planos inferiores também existem colônias? Como se define o umbral? Onde estaremos após o desencarne? Acompanhe essas e outras respostas de Paulo Henrique de Figueiredo no Sem Dúvida e no Boletim Espírita.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Ecologia e Espiritismo


Trecho de entrevista de André Trigueiro, autor do livro Espiritismo e Ecologia (FEB), à revista Reformador. O escritor considera que a Lei de Conservação de “O Livro dos Espíritos” é um tratado de sustentabilidade.

Reformador: Como surgiu seu interesse em relacionar Espiritismo e Ecologia?

Trigueiro: Sou espírita, jornalista interessado em sustentabilidade há pelo menos 20 anos, e tenho uma pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ. A combinação desses fatores me precipitou na direção dessa linha de investigação. O livro – já na terceira edição – não esgota o assunto, mas deixa claro a razão pela qual nós espíritas devemos ter atenção redobrada nesta encarnação para com os limites do planeta que generosamente nos acolhe. A situação é difícil e a Humanidade é a responsável direta pela crise ambiental sem precedentes que experimentamos no momento. A educação para a sustentabilidade encerra princípios éticos e morais que são caros à Doutrina Espírita. Devo dizer que me incomodava muito uma certa distância que várias casas espíritas mantinham do tema “meio ambiente”, como se a exaltação dos valores espirituais nos eximisse de responsabilidade para com o que acontece aqui e agora em nossa casa planetária. Mas isso está mudando.

Reformador: Que destaque daria, em obras de Kardec, com relação ao tema?

Trigueiro: Bem entendida, a posição assumida pelo Espiritismo em favor da vida – condenando o aborto, a eutanásia e o suicídio alcança também a dimensão planetária na condenação do ecocídio, ou seja, a capacidade de a Humanidade realizar escolhas que reduzem nossas possibilidades de existência nesse plano. Todo o capítulo de O Livro dos Espíritos que versa sobre a Lei de Conservação é um tratado de sustentabilidade. Quando a Doutrina estabelece a diferença entre o que é necessário e o que é supérfluo, e nos orienta em relação ao uso inteligente dos recursos naturais (“A Terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se com o necessário”)1 há sinergia absoluta em relação aos modernos relatórios da ONU que condenam os atuais meios de produção e de consumo. Outro tema que me interessa muito é a influência de nossos sentimentos e pensamentos na qualidade da psicosfera terrena. Temos o poder de influenciar coletivamente a Natureza, através da qualidade e da intensidade de nossas vibrações. A Doutrina Espírita também reconhece o trabalho dos elementais, seres encarregados de proteger a Natureza e sustentar seus processos cíclicos. Outra informação valiosa remete à identificação visceral que temos com a Terra: somos feitos dos mesmos elementos que constituem o planeta, e isso vale para o corpo material ou o perispírito. “Do pó viestes para o pó voltareis” [Gênesis, 3:19] não é poesia bíblica, é Ciência. E o que acontece com a terra, o ar e a água, portanto, fora de nós, reverbera dentro de nós. Estamos todos conectados.

Reformador: Você relaciona eventuais desrespeitos ao meio ambiente às alterações climáticas?

Trigueiro: O livro de nossa autoria traz informações atualizadas sobre a maior crise ambiental da História da Humanidade e como somos responsáveis por isso. Na verdade, somos parte do problema e devemos ser parte da solução. A crise climática é a mais preocupante e demanda soluções urgentes. Mas nossas atenções devem estar voltadas também para a destruição sistemática da biodiversidade, a produção monumental de lixo, a escassez de recursos hídricos, a transgenia irresponsável, o consumismo desvairado, o crescimento desordenado das cidades e outros problemas que fazem parte do nosso tempo e exigem respostas de nossa parte ainda nesta existência. O espírita está sendo convocado à ação aqui e agora. A maior nação espírita do planeta está situada no único país com nome de árvore, que concentra o maior estoque de água doce (superficial de rio ou subterrânea), a maior quantidade de solo fértil, o maior número de espécies conhecidas e catalogadas. Mera coincidência?

Reformador: Uma mensagem ao leitor de Reformador.

Trigueiro: Que o mundo será um dia um lugar melhor e mais justo, não há dúvida alguma. A grande questão ainda sem resposta é: haverá tempo para que esse mundo melhor e mais justo seja também um mundo ambientalmente sadio e agradável? Depende de nós. Qual a sua escolha?


Fonte: Reformador
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